terça-feira, 24 de junho de 2008
A farsa dos Biocombustíveis!
Londres, 24 jun (EFE).- O uso de biocombustíveis pelos países ricos está acelerando a mudança climática e aumentando o preço dos alimentos, arrastando 30 milhões de pessoas para a pobreza, segundo um relatório divulgado hoje pela ONG Oxfam.
O relatório, intitulado "Outra verdade inconveniente", afirma que o uso deste tipo de combustíveis orgânicos está elevando os índices de fome e pobreza e não é uma alternativa à crise dos combustíveis fósseis.
O estudo indica que se todas as reservas de grão e açúcar do planeta se transformassem em etanol, só cobririam 40% da demanda energética atual, pelo que é necessário reduzir o consumo.
A Oxfam denuncia em comunicado que as políticas em vigor nos países ricos neste tema, que estabeleceram porcentagens mínimas de uso de biocombustíveis que variam entre 2,5% a 10%, estão contribuindo para a inflação e aumentando o nível de pobreza dos menos favorecidos. A organização assegura que o uso de plantações como fontes de combustível contribuiu em mais de 30% para a alta dos preços dos alimentos.
Além disso, revela que a mudança climática está se acelerando por causa do desmatamento de florestas, destruindo locais que poderiam absorver o carbono produzido.
Por outro lado, criticou que os países ricos estabelecessem reduções tributárias na compra destes biocombustíveis, enquanto promovem sua própria produção de etanol e bloqueiam aqueles que procedem de zonas pobres do planeta.
A Oxfam declara que "seria vergonhoso" que estes Governos continuem com estas políticas, mesmo sabendo as conseqüências climáticas. Também criticou a ajuda de parceiros econômicos que acabam por contribuir com o problema.
Neste sentido, pediu ao Governo britânico que mude completamente a estratégia de conseguir que o consumo de biocombustíveis represente 5% em 2010. Além disso, solicitou que a União Européia (UE) seja pressionada para que faça o mesmo, cancelando seus planos de 10% de biocombustíveis para 2020.
A Oxfam estima que, em 2020, como resultado deste objetivo da UE, as emissões de carbono pela mudança dos terrenos para a produção de biocombustíveis poderiam ser 70 vezes mais elevadas do que se pouparia anualmente.
terça-feira, 17 de junho de 2008
"Estou condenado a indenizar meus torturadores"
Austregésilo Carrano Bueno* Falecido terça-feira, 27/05/2008, aos 51 anos, leia artigo do escritor Austregésilo Carrano Bueno(foto), autor do livro que deu origem ao premiado filme "O Bicho de Sete Cabeças", publicado pela NovaE em jullho de 2003, em ocasião da sua luta jurídica contra os responsáveis pelo violento tratamento psiquiátrico que sofreu dos 17 até quase os 21 anos.
Ao lançar o meu livro "Canto dos Malditos", (base do filme BICHO DE SETE CABEÇAS de Lais Bodanski) biográfico do período que estive internado durante três anos e meio, dos 17 anos até quase os 21 anos, em quatro chiqueiros psiquiátricos brasileiros, já imaginava que estava comprando uma guerra. Guerra injusta, pois iria enfrentar pessoas poderosas financeiramente e que possuem até os dias de hoje um grande poder de ser intocáveis perante a Lei da sociedade brasileira.
E na comunidade em que convivo são de famílias poderosas que têm influência e poderes irrestritos no jurídico, legislativo e nos poderes executivos. E também são profissionais da área da saúde mental, que adquiriram poderes magistrais graças a uma ignorância quase generalizada de uma sociedade que sempre se colocou como omissa a tanta crueldade e violência que são praticadas dentro das nossas instituições psiquiátricas.
Violências das mais cruéis que chegam a inutilizar pessoas; condenação a passar o resto de seus dias dentro dessas instituições; milhares foram e são torturadas, mortas sem o menor senso de responsabilidade até hoje. Somos currados em todos os direitos de cidadão pela omissão social e desleixos profissionais que nos usam até como cobaias humanas, em suas prisões intituladas de Instituições Psiquiátricas e vulgarmente chamadas de Hospícios. Nos tiram a razão, nos transformando em bestas humanas onde não sabemos mais quem e o que somos, na forma de uma dupla prisão: física e química. E quando chega um livro escrito de dentro dessas instituições para fora delas, relatando uma verdade insofismável, pois basta apenas fazer uma visita surpresa a qualquer instituição do gênero para constatarmos esta nua, violenta e criminosa realidade.
O que esta sociedade omissa permite fazer? Cassar o livro, com alegações fajutas de injuria e calúnia a esses profissionais que são já condenados pela ética, e por suas próprias ações de desleixos e torturas com seus pacientes. Basta um pouco de conhecimento sobre o histórico recente dessas instituições psiquiátricas que são verdadeiros depósitos de pessoas altamente drogadas, confinadas, torturadas. E muitas são abandonadas pela própria família e omissão social. Verdadeiros crimes contra o cidadão e a humanidade. E quando alguém traz à tona esta verdade palpável, visível a olho nu, basta querer e ter a sensibilidade e senso de humanidade para deixar de se fazer de desentendidos e coniventes.
O que esta sociedade omissa permite fazer? Condenam o escritor e ex-paciente psiquiátrico a ser condenado mais uma vez. Estou condenado a pagar sessenta mil reais aos meus torturadores, nunca tive tamanha quantia de dinheiro em minha vida, mas eles querem essa indenização estipulada pelo Tribunal de Justiça do Paraná, pois eles são intocáveis e isentos de dúvidas sobre qualquer de suas ações.
Esta isenção patrocinada e comprada vergonhosa e abertamente pelo poder econômico dessas famílias e de profissionais psiquiatras que se sentem ameaçados por esta verdade que o livro mostra. Mas o que mais dói é a omissão social que com este ato se tornam coniventes com essas ações de confinar, drogar e torturar pessoas. Pois sabemos que confinar, prender pessoas e drogá-las não é tratamento e sim tortura das mais cruéis e dignas de punições jurídicas, ou seja, cadeia.
Em sociedades de países já com algum avanço nesta área da psiquiatria, já tem casos de condenações de profissionais por seqüelas, traumas, torturas psiquiátricas e suicídios de pacientes, inclusive com altas indenizações financeiras para as vítimas. Por que na sociedade brasileira estas graves questões são deixadas de lado, e a sociedade se mostra conivente com ações que são crimes, e dificultam a apuração de responsabilidades até nos meios jurídicos brasileiros, por quê? Agora quando alguém declara abertamente e cobra essas responsabilidades, até acorrentando- se em protestos em frente aos Tribunais Judiciais estadual e federal, tentando chamar a atenção para esses crimes, o que a sociedade brasileira faz? Vão julgá-lo agora mais uma vez.
Toda a vez que falar de sua sina de tortura, aviltação, humilhação, risco de vida, por ter seus estudos e formação profissional interrompidos pelo erro grosseiro que foi a sua internação. Submetido ao mais violento tratamento psiquiátrico que é a eletro- convulsoterapia, que foram 21 eletrochoques aplicados a seco, como experiência humana numa voltagem de 180woltz a 460woltz aplicado nas têmporas, onde deixaram seqüelas físicas e traumas psicológicos. Toda a vez que eu mencionar essas torturas e os nomes dos hospitais psiquiátricos, da Federação Espírita do Paraná que é dona de um desses hospitais, o nome dos médicos-psiquiatras que me torturaram, exigem R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por dia de indenização, ou que eu seja preso em cadeia comum. Serei julgado pela terceira vez no dia 23 de maio de 2003, as 14:30 horas na 5º Vara Civil do Fórum de Curitiba, capital do Estado do Paraná, Brasil.
O que se pode fazer para reverter esta perseguição indecente que o Lobby da Psiquiatria e familiares dos mesmos vem fazendo em cima da minha pessoa e de minha obra. Obra literária que originou o Filme " Bicho de Sete Cabeças‘, que ganhou oito prêmios internacionais, e quarenta e três prêmios nacionais. Tornou-se um dos filmes mais premiados da cinematografia brasileira. Ganhei com tudo isso menos de vinte mil reais, pagos desde o ano de 2000. Dessa grana os processos que respondi, já levaram tudo, e estou até devendo.
Mas o que se pode fazer para reverter esses processos? Quem se sensibilizar por esta causa é divulgar ao máximo este texto. Enviar e-mail, cartas, telegramas, telefonemas, abaixo-assinados repudiando essas ações e condenações impostas a mim, para o Presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, Supremo Tribunal Federal em Brasília, para O.N.Gs nacionais e internacionais. Imprensa no geral. Associações de Direitos Humanos.
Austregésilo Carrano Bueno é escritor.
Artigo publicado na NovaE originalmente em julho de 2003. O real é atual. Credibilidade não envelhece.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como Os Nossos Pais...
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando...
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...
Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como Os Nossos Pais...